Li com natural interesse a entrevista do novo Bastonário da Ordem dos Engenheiros (OE), o insigne colega Carlos Matias Ramos, publicada no passado número de Março/Abril da Ingenium (apenas notei agora a semelhança do nome da nossa revista com o mais famoso livro de Voltaire, esperando a bem de todos nós tratar-se somente de uma coincidência).
Para além de um punhado de ideias interessantes, entrecortadas (demasiado) regularmente pelos lugares-comuns a que infelizmente já nos vamos habituando nos últimos Bastonários da OE, pouco de entusiasmante ou reformador retive da entrevista do novo dirigente.
E uma das questões fundamentais para quem exerce a profissão de Engenheiro, com os mais diversos níveis de formação, experiência, e nas mais diferentes áreas de actividade, é cada vez mais a total desregulação dos salários e honorários praticados, contribuindo para a diminuição da qualidade dos Actos de Engenharia praticados (tão citados na referida entrevista).
Recordo ao Sr. Bastonário que um estagiário com uma formação base equivalente à minha (e à dele aliás), aufere no seu estágio actualmente um valor bastante inferior ao que era a média do mercado há cerca de oito anos. E recordo-me também que, à data, a situação vinha já numa tendência vertiginosamente decrescente. Não será esta uma situação que poderá reduzir o "prestígio da engenharia", citando o Eng.º Carlos Matias Ramos?
Lendo a entrevista mencionada concluo que não. Apesar das referências ao "acto médico" e ao prestígio social a ele associado, o Sr. Bastonário não consegue (ou não quer) estabelecer a relação entre esse prestígio/confiança pública com os honorários mínimos praticados pela classe médica.
Conheço bem os argumentos contra a tese dos honorários mínimos e o ordenamento jurídico que os suporta. Mas espero mais de um Bastonário do que a resignação perante uma situação que prejudica gravemente uma maioria dos seus membros, e ainda por cima os mais competentes e honestos, favorecendo os que visam a mercantilização da Engenharia e paralelamente uma espécie de oligarquia das médias e grandes empresas de consultoria que beneficiam dos salários miseráveis que vão pagando aos seus engenheiros estagiários e júniores.
Retomando o livro de Voltaire, esperemos não ter um novo Dr. Pangloss na Ordem dos Engenheiros.
Para além de um punhado de ideias interessantes, entrecortadas (demasiado) regularmente pelos lugares-comuns a que infelizmente já nos vamos habituando nos últimos Bastonários da OE, pouco de entusiasmante ou reformador retive da entrevista do novo dirigente.
E uma das questões fundamentais para quem exerce a profissão de Engenheiro, com os mais diversos níveis de formação, experiência, e nas mais diferentes áreas de actividade, é cada vez mais a total desregulação dos salários e honorários praticados, contribuindo para a diminuição da qualidade dos Actos de Engenharia praticados (tão citados na referida entrevista).
Recordo ao Sr. Bastonário que um estagiário com uma formação base equivalente à minha (e à dele aliás), aufere no seu estágio actualmente um valor bastante inferior ao que era a média do mercado há cerca de oito anos. E recordo-me também que, à data, a situação vinha já numa tendência vertiginosamente decrescente. Não será esta uma situação que poderá reduzir o "prestígio da engenharia", citando o Eng.º Carlos Matias Ramos?
Lendo a entrevista mencionada concluo que não. Apesar das referências ao "acto médico" e ao prestígio social a ele associado, o Sr. Bastonário não consegue (ou não quer) estabelecer a relação entre esse prestígio/confiança pública com os honorários mínimos praticados pela classe médica.
Conheço bem os argumentos contra a tese dos honorários mínimos e o ordenamento jurídico que os suporta. Mas espero mais de um Bastonário do que a resignação perante uma situação que prejudica gravemente uma maioria dos seus membros, e ainda por cima os mais competentes e honestos, favorecendo os que visam a mercantilização da Engenharia e paralelamente uma espécie de oligarquia das médias e grandes empresas de consultoria que beneficiam dos salários miseráveis que vão pagando aos seus engenheiros estagiários e júniores.
Retomando o livro de Voltaire, esperemos não ter um novo Dr. Pangloss na Ordem dos Engenheiros.
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